segunda-feira, março 10, 2008

A Súplica da Terra


Ser humano,
Não me destruas!
Eu te ofereço:
O chão seguro para teu passo firme,
O silencioso vale onde tua messe é pródiga,
A planície calma onde apascentas o gado,
A mansa colina de teu horizonte azul,
O monte suave onde tua fonte canta.

Se ainda assim não te bastar,
Rasga-me o ventre e tira-me das entranhas:

O metal dourado de tua moeda,
O duro aço de tua ferramenta,
O negro líquido que te move e aquece,
A preciosa pedra de teu ornamento,
A fina areia que te mede o tempo,
A pura lama que te embeleza e cura,
A cerâmica para teu cântaro e para teu teto,
A argila que te obedece ao molde,
O alicerce para tua morada.

Rogo-te: não me tires o manto verde
que te dá o oásis de tua caminhada,
porque hás de te lembrar
que do pó tu surgiste
e ao meu seio tu voltarás...

Walter Rossi

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